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Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna
re-escritas
girassolescrito

gosto de andar sozinha pelo centro da cidade com os meus fones de ouvido, onde ninguém sabe que ninguém está apaixonado por mim enquanto todos me amam, como diria Sabrina Benaim. porque eu sou boa em fazer os outros se sentirem bem com eles mesmos.

gosto de andar pelo centro da cidade com os meus fones de ouvido, onde ninguém sabe que meu coração está partido e que numa manhã de domingo eu finalmente aceitei que a sua felicidade não sou eu e, aceitei isso de peito aberto.

é melhor admitir e deixar até que a tristeza, sufocante como uma poluição de são paulo dentro de mim, saia e eu finalmente te deixei ir.

tenho problemas com isso

deixar as coisas irem

deixo pacotes e embalagens no meu quarto por ter problemas em deixarem as coisas irem. e faço isso com pessoas também na minha caixa de lembranças. nela estão pedaços de cada corpo sem nome que me marcou e se foi. alguns desses pedaços não são fisicamente presentes, mas vivem dentro de mim.

parte de mim fica feliz por você estar dirigindo por aí com outra pessoa no banco do passageiro e por não fazer mais parte da sua viagem.

e parte de mim se enrola e se encaixa perfeitamente na minha cama, onde eu choro, pateticamente, por amores que não me cabem. e eu me rasguei inteira tentando caber dentro do que você é.

o rasgo me lembra de todas as vezes em que eu abri mão de mim mesma por outras pessoas, porque eu sou boa em fazer elas se sentirem bem com elas mesmas. então eu me deixo de lado. me esqueço por alguns minutos, deixo a minha tristeza, e as faço sorrir, e ali também me faço melhor por alguns segundos.

a felicidade passageira me lembra dos corpos sem nomes

das lembranças

dos músculos e epidermes ambulantes que me marcaram a ponto de eu não conseguir deixar ir. abraçar seus vazios e guardar cada migalha. acumulá-las até que as migalhas virem algo que me preencha.

ser preenchida me lembra de todas as vezes que eu deixei pessoas entrarem e arrumei a casa que eu sou. elas me habitaram por um tempo, me preencheram. e depois sobrou o vazio e a bagunça

a bagunça me lembra de como eu me sinto por dentro quando ando pelo centro da cidade com os meus fones de ouvido

onde eu sou uma pessoa normal

aonde ninguém sabe que eu choro em domingos de manhã por pessoas que não existem mais no meu universo.

Source: girassolescrito